sábado, julho 21, 2007

Fado em Si Bemol

Foi na casa do Manuel, entre um Coastal Chardonnay e um Monte Cristo, que conheci os Fado em Si Bemol. Que nos presentearam com um informal concerto. Disfrutado até à última gota.



Fado com muito swing, encontro de músicos com raízes diferentes, música do mundo que bebe muito jazz. Como a expressiva voz de Pedro Matos, que corre do fado ao blues. De Coimbra às "Tranças Pretas"E gosta mais do Zé Mário que do Zeca. A guitarra portuguesa de Miguel Silva que maravilhou no "Despertar" de Carlos Paredes, conduziu o concerto e mereceu o Monte Cristo. A guitarra clássica de Paulo Gonçalves, onde a formação erudita e jazz lhe permite ser a ligação do grupo. O encanto do contrabaixo de Pedro Silva.



E a percussão de Paulo Coelho, da bateria a uma surpreendente bilha. Este Fado em Si Bemol cativam. Pelo virtuosismo, pela inovação, pelo entusiasmo. Merecem que os portugueses os conheçam. E os portugueses também merecem conhecê-los.

sábado, julho 07, 2007

TABLES DU MONDE (20) KSAR CHAR BAGH

Na noite de São João disfrutei de um memorável jantar. No restaurante do Ksar Char Bagh, refúgio a 20km de Marrakech, onde por trás de cada porta se entreabrem acolhedores pátios que lembram o Alhambra.Com a piscina e as palmeiras em pano de fundo, Hadrien, o jovem chef discípulo de Joel Robuchon e Alain Passard, deu asas à sua criatividade preparando um menu de aromas e sabores mediterrânicos.

Um grande jantar pede um grande vinho e por isso optamos pelo Chateau L'Arrosée St. Emilion 2002, um Cabernet Merlot pujante e empolgante. Depois de uns agradáveis lagostins como amuse-bouche, as nossas papilas perderam a compostura com um sublime "Girolles en risotto d'herbes, jus de volaille en émulsion". A emulsão das aves dava a consistência e o sabor perfeito a um risotto que era um hino à harmonia, no casamento perfeito com deliciosos cogumelos.

No prato optei pelo"Filete de Peixe Galo assado em especiarias, beterraba em crosta de sal e puré de batatas doces", que se revelou carnudo e de grande frescura, excelente na sua simplicidade aparente, em que o gengibre e a pimenta se entrecruzavam com a doçura da beterraba. A madame optou pelo "Rolo de Anho com frutos secos e puré de ervilhas com menta, em redução de vinho tinto" que estava uma delícia, com o exotismo adocicado da menta a combinar com a carne rosada do anho.

A sobremesa foi um inesquecível "Soufflé de Flor de Laranjeira", de textura pefeita, fofura e leveza no ponto, em que o citrino da flor da laranjeira lhe dava um original sabor.

Acabamos, claro, com chá de menta e uma visita guiada aos quartos livres deste paraíso, de que vos darei conta noutra altura.

Apesar da atribulação para lá chegar, em que nos 20 minutos da viagem o taxista procurou justificar porque é que não lhe podia pagar menos de 10€ ( se ele soubesse o preço do vinho tinha levado 20, no mínimo), a visita a este templo é obrigatória.

4th of July com os Arcade Fire

O meu 4th of July começou às 0 horas. No Parque Tejo. Com os acordes de "Black Mirror". Perante um público que estava conquistado à partida, os Arcade Fire não demoraram cinco minutos a agarrar os vinte mil que os foram ouvir. Entre o clique da luz e o ínicio de um sonho, "No Cars Go" foi o primeiro dos hinos que tornaram o concerto uma celebração. Em que o público se entregou de corpo e alma, cantando, saltando, batendo palmas, prolongando as músicas para lá da actuação de Win e Régine.

A música dos Arcade Fire, já o sabia, é excepcional. Mas ao vivo, a energia e a alegria do grupo são contagiantes.E os arranjos com coros empolgantes, em clássicos como "Intervention", "Rebellion" e a beleza de "Old Flame" e"Une année sans Lumiére". Os medos e as lágrimas do mundo em "Headlights look like diamonds", uuuuuuu. Uma música que purifica a alma e espalha as cinzas das cores pelos nossos corações, canntam eles em "Neighborhood#1".

Já quarentão estou habituado a ver concertos no conforto duma cadeira. Na Casa da Música ou num Estádio. Mas desta vez fiz de conta que era teen ager e fui bem lá para a frente. Onde o público se entregou de corpo e alma, cantando, saltando, batendo palmas, prolongando as músicas para lá da actuação de Win e Régine. Bem perto de músicos sensacionais que trocavam de instrumentos, saltando dos teclados e da bateria para guitarras e banjos.



"Wake Up" foi o extase final de um concerto de pequenos deuses capazes de despertar tempestades de emoções. E no final, depois de cantar a plenos pulmões, dei razão áqueles que me diziam que o concerto de Paredes de Coura foi inesquecível. É que o do Parque Tejo foi o concerto do século. Um 4th of July imemorável, com o fogo do artíficio e do génio duns Arcade épicos e brilhantes, poderosos e apaixonados, que viveram em Montreal entre gregos e portugueses a nossa pathos do 4th of July de 2004.

Quem perdeu este concerto memorável pode espreitar aqui, onde se encontra quase todo o alinhamento do concerto dos Arcade em Glastonbury.