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quinta-feira, maio 17, 2007

O Capitão Alatriste


"No era el hombre más honesto ni el más piadoso, pero era un hombre valiente. Se llamaba Diego Alatriste y Tenorio, y había luchado como soldado de los tercios viejos en las guerras de Flandes. Cuando lo conocí malvivía en Madrid, alquilándose por cuatro maravedís en trabajos de poco lustre"

Assim começa, narrado pelo seu escudeiro Iñigo, a saga do "Capitão Alatriste". Soldado na guerra da Flandres, agora espada a soldo de quem necessite da sua espada, seja para uma cobrança difícil ou um assunto de saias. Num fresco maravilhoso da Madrid no reinado de Filipe IV, o nosso herói vê-se envolvido numa conspiração que envolve a Inquisição e porá em causa a aliança com Inglaterra. Retrato colorido das personagens e das ruas, a política e a intriga na corte, os cheiros e os recantos, sol e sombra, poesia, animação, romance, e num texto leve, solto, com garra, que se lê com prazer. De um fôlego.



E que vai ser filme. Com Viggo Mortensen. Saído da trilogia do "Senhor dos Anéis" e do fabuloso "História de Violência". E que se tornou fluente no castelhano ( com sotaque argentino) para encarnar o personagem. Oxalá o filme esteja à altura do génio de Perez Reverte.

quarta-feira, março 07, 2007

80 anos de ilusão

18 de Junho de 1978. Tinha 15 anos. Era o primeiro dia das férias de Verão. A mochila já estava pronta. No dia seguinte ia acampar com os meus amigos. Um salto mal calculado num jogo de futebol, e uma fractura do maléolo lateral. Seis semanas em casa com o pé engessado. E os amigos no campismo.

Mário Kempes e Rob Rensenbrink foram boas companhias. Johann Cruyff ficou de fora porque se recusou a cumprimentar Videla. E renunciou ao Mundial-78 de Futebol. Como diz o Marx "fazia parte de uma estirpe de futebolistas que tende para a extinção". Mas o maior companheiro que tive nessas férias foi Gabriel Garcia Marquez. Li “Cem Anos de Solidão” de um fôlego. Macondo e a saga dos Buendia. José Arcadio, Aureliano, Arcadio José, Amaranta, Ursula, Remédios. E tantos outros. Ainda hoje tenho dentro do livro a árvore genealógica que fiz da família. Sem pontos nem exclamações, sem tempo para respirar. A comichão na perna engessada era esquecida à medida que me enredava pelo imaginário fabuloso de Gabo. Onde o inverosímil e o mágico não eram menos reais que o quotidiano e o lógico. Logo pedi que me trouxessem o “Funeral da Mamã Grande”, “O Outono do patriarca” e “Ninguém Escreve ao Coronel”

Uns anos mais tarde lembro-me de ter lido “Crónica de uma Morte Anunciada” numa tarde. E o “Amor em Tempos de Cólera” em dois dias. E de me divertir com o relato da “Aventura de Miguel littin, clandestino no Chile” e a “Memória das Minhas Putas Tristes”, lida a 30.000 pés.

Garcia Marquez e o Caribe permanecerão para sempre na minha cabeça e no meu coração. Celebra hoje o seu 80º aniversário. Na Cuba do seu amigo Castro. Não comungo da sua admiração por Fidel. Mas rendo-me ao seu génio.

Bem hajas e Parabéns. Pela tua obra e pela tua vida. Valeu a pena Viver para a contar.