domingo, agosto 12, 2007

Adolfo Rocha (1907-1995)


PANORAMA

Pátria vista da fraga onde nasci.
Que infinito silêncio circular!
De cada ponto cardeal assoma
A mesma expressão muda.
É de agora ou de sempre esta paisagem
Sem palavras, sem gritos,
Sem o eco sequer de uma palavra incontida?
Ah! Portugal calado
Ah! Povo amordaçado
Por não sei que mordaça consentida.

Miguel Torga

sexta-feira, agosto 10, 2007

Es Moli del Sal

En Illetas, na ponta ocidental da ilha de Formentera, fica o Moli del Sal. Com uma localização privilegiada, vistas magníficas sobre o mar. Quem o frequenta são os "marinheiros" que ancoram os seus barcos ao largo. Voltei lá nesta visita, já que o Juan e Andreia , na prais do Pirata, não tinha mesa para 30. De autocarro, 56 pés e dois cascos. E dois dias depois com os 66 pés do Eduardo e do Joaquim.

Abriram-se as hostilidades com boquerones e chipirones fritos e mejilones ao natural. Os boquerones, estaladiços mas desfazendo-se entre a saliva, deleitaram graúdos e gaiatos.
Os mejilones evaporam-se por entre o Gramona, potente Chardonay de Penedès. E os chipirones, temperados pela acidez do limão, tentaram a Lili.
Enquanto isso, o Manuel estagiava na cozinha com Eduard Mollà, o chef que lhe prometeu uma visita ao Porto se fosse presenteado com um Porto de 40 anos. Proibe-se a visita à cozinha a pessoas impressionáveis ou da sociedade protectora dos lavagantes. Nem a Inquisição os trataria assim.

Mas o que justifica a ida ao Es Moli del Sal é o Arroz. Negro, com ou sem Bogavante. Paella cega ou não. Divina. Arroz no ponto, delicioso, suculento, voluptuoso. De perdição, até a mais anorética das senhoras repete a dose.
Com Cava de Sangria ou o Chardonay a acompanhar. Desaconselha-se a sobremesa, que a carta lembra as esplanadas da Quarteira, com as fotos dos gelados. Mas o "sorvete de limon" é um bom final de refeição.Depois da refeição, barriguinha aconchegada e com o lavagante aos saltos, há que afogá-lo na praia da Tanga, onde a água nos retempera os poros dilatados pelo calor e as calorias.

Um Artista Português



Jesualdo Ferreira, treinador do FC Porto disse "Ganhar é como escovar os dentes. É um hábito". Para quem só começou a ganhar depois dos sessenta anos, o senhor deve ter um bom dentista.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Verano Azul

Conhecia Formentera de incursões que lá fiz a bordo do "Brown Eye". Voltei lá este ano. A bordo dum ferry. Num grupo de 14 adultos e 15 niños. Sem a Bea e o Piraña, mas com a Marta e a Mimi, a Nonô e a Lili. O Kiko e o Diogo. Uma aventura. Valeram aos adultos o Mike e o Ralph, a Sofia e a Sara.
Conhecia a Formentera selvagem. Agora, fui conhecer a Formentera civilizada. Quase massificada. Mas sempre encantadora. A água verde esmeralda, quente e transparente, mar salgado, inesquecivel. Apesar duma alforreca perdida. O argentino das barraquinhas da praia. O volei de fim da tarde. A sueca à sombra. A varicela da Lili que deixou as fraldas na ilha. A Mimi nas argolas. O Murakami a servir de almofada. A descoberta do Philip Roth. Só isso dava para suportar o buffet nada gourmet, que me pôs a beringelas e mexilhão, iogurte e gelado de chocolate uma semana inteira. Compensado pelo arroz negro do Es Moli del Sal e o reencontro com o "Brown Eye". E o primeiro banho de alto mar da Margarida.

E o limoncelo ao pôr do sol lembrando D'Annunzio e Fiésole. E os amigos. Sempre.

Lágrimas e Suspiros

Por Bergman e Antonioni. Cresci com eles. Grandes mestres. Que agora se eclipsam.

This is not America





A 4 de Março de 2001 um pequeno país do Sul da Europa entrou em depressão. Um inverno cinzento, um PM flácido, uma economia em queda. E uma ponte que ruiu. Que não podia ser.No Num país europeu. No dealbar do século XXI.

E pure... na América, no séc. XXI, essas coisas ainda acontecem. Depois dos diques de New Orleans, a ponte de Minneapolis. Já sei, vão dizer, Minneapolis e no...de Judas, isso é lá no estado que elegeu o Jesse Ventura governador. Pois é. Mas também é o Estado da Mayo Clinic. E o país de Stanford e do MIT. This is not America? Is this it?

Come fly with me



Nos anos sessenta uma companhia aérea tinha por slogan " A TAP não anda, voa". Cá pela minha cidade lia-se " A TAP não anda boa". O mesmo disse após "acalorada ( no Calor da Noite?) discussão" o sr. Antero às autoridades que o foram buscar ao avião. O sr. Antero ("Esta do ‘Pato’, do Deco, vou-lhe dizer uma coisa, pá! Eu sabia que o presidente era um génio mas esta!, foda-se!" ) conhecido pela "chantagem fantástica,pá" do Pato armou-se em SuperDragão. O FCP processou a TAP ? Acho bem.

E a TAP? Vai processar individualmente os passageiros que depois de terem embarcado num avião o abandonaram? Que atraso resultou da retirada da bagagem dos passageiros? Que prejuízos teve a TAP? O que pensarão disto tudo a senhora grávida e a velhinha desfalecida que o dr. Nelson Puga assistiu?

Sorrisos numa noite de Verão

Este Verão tenho-me perdido num mar de reuniões. Navegado por entre números, projectos, contratos, cláusulas de rescisão. Mas finalmente lá assinei pelo clube do Conhé e do Capitão-Mor. Mais o Bambo e o Arnaldo.

E pude voltar ao blog

sábado, julho 21, 2007

Fado em Si Bemol

Foi na casa do Manuel, entre um Coastal Chardonnay e um Monte Cristo, que conheci os Fado em Si Bemol. Que nos presentearam com um informal concerto. Disfrutado até à última gota.



Fado com muito swing, encontro de músicos com raízes diferentes, música do mundo que bebe muito jazz. Como a expressiva voz de Pedro Matos, que corre do fado ao blues. De Coimbra às "Tranças Pretas"E gosta mais do Zé Mário que do Zeca. A guitarra portuguesa de Miguel Silva que maravilhou no "Despertar" de Carlos Paredes, conduziu o concerto e mereceu o Monte Cristo. A guitarra clássica de Paulo Gonçalves, onde a formação erudita e jazz lhe permite ser a ligação do grupo. O encanto do contrabaixo de Pedro Silva.



E a percussão de Paulo Coelho, da bateria a uma surpreendente bilha. Este Fado em Si Bemol cativam. Pelo virtuosismo, pela inovação, pelo entusiasmo. Merecem que os portugueses os conheçam. E os portugueses também merecem conhecê-los.

sábado, julho 07, 2007

TABLES DU MONDE (20) KSAR CHAR BAGH

Na noite de São João disfrutei de um memorável jantar. No restaurante do Ksar Char Bagh, refúgio a 20km de Marrakech, onde por trás de cada porta se entreabrem acolhedores pátios que lembram o Alhambra.Com a piscina e as palmeiras em pano de fundo, Hadrien, o jovem chef discípulo de Joel Robuchon e Alain Passard, deu asas à sua criatividade preparando um menu de aromas e sabores mediterrânicos.

Um grande jantar pede um grande vinho e por isso optamos pelo Chateau L'Arrosée St. Emilion 2002, um Cabernet Merlot pujante e empolgante. Depois de uns agradáveis lagostins como amuse-bouche, as nossas papilas perderam a compostura com um sublime "Girolles en risotto d'herbes, jus de volaille en émulsion". A emulsão das aves dava a consistência e o sabor perfeito a um risotto que era um hino à harmonia, no casamento perfeito com deliciosos cogumelos.

No prato optei pelo"Filete de Peixe Galo assado em especiarias, beterraba em crosta de sal e puré de batatas doces", que se revelou carnudo e de grande frescura, excelente na sua simplicidade aparente, em que o gengibre e a pimenta se entrecruzavam com a doçura da beterraba. A madame optou pelo "Rolo de Anho com frutos secos e puré de ervilhas com menta, em redução de vinho tinto" que estava uma delícia, com o exotismo adocicado da menta a combinar com a carne rosada do anho.

A sobremesa foi um inesquecível "Soufflé de Flor de Laranjeira", de textura pefeita, fofura e leveza no ponto, em que o citrino da flor da laranjeira lhe dava um original sabor.

Acabamos, claro, com chá de menta e uma visita guiada aos quartos livres deste paraíso, de que vos darei conta noutra altura.

Apesar da atribulação para lá chegar, em que nos 20 minutos da viagem o taxista procurou justificar porque é que não lhe podia pagar menos de 10€ ( se ele soubesse o preço do vinho tinha levado 20, no mínimo), a visita a este templo é obrigatória.

4th of July com os Arcade Fire

O meu 4th of July começou às 0 horas. No Parque Tejo. Com os acordes de "Black Mirror". Perante um público que estava conquistado à partida, os Arcade Fire não demoraram cinco minutos a agarrar os vinte mil que os foram ouvir. Entre o clique da luz e o ínicio de um sonho, "No Cars Go" foi o primeiro dos hinos que tornaram o concerto uma celebração. Em que o público se entregou de corpo e alma, cantando, saltando, batendo palmas, prolongando as músicas para lá da actuação de Win e Régine.

A música dos Arcade Fire, já o sabia, é excepcional. Mas ao vivo, a energia e a alegria do grupo são contagiantes.E os arranjos com coros empolgantes, em clássicos como "Intervention", "Rebellion" e a beleza de "Old Flame" e"Une année sans Lumiére". Os medos e as lágrimas do mundo em "Headlights look like diamonds", uuuuuuu. Uma música que purifica a alma e espalha as cinzas das cores pelos nossos corações, canntam eles em "Neighborhood#1".

Já quarentão estou habituado a ver concertos no conforto duma cadeira. Na Casa da Música ou num Estádio. Mas desta vez fiz de conta que era teen ager e fui bem lá para a frente. Onde o público se entregou de corpo e alma, cantando, saltando, batendo palmas, prolongando as músicas para lá da actuação de Win e Régine. Bem perto de músicos sensacionais que trocavam de instrumentos, saltando dos teclados e da bateria para guitarras e banjos.



"Wake Up" foi o extase final de um concerto de pequenos deuses capazes de despertar tempestades de emoções. E no final, depois de cantar a plenos pulmões, dei razão áqueles que me diziam que o concerto de Paredes de Coura foi inesquecível. É que o do Parque Tejo foi o concerto do século. Um 4th of July imemorável, com o fogo do artíficio e do génio duns Arcade épicos e brilhantes, poderosos e apaixonados, que viveram em Montreal entre gregos e portugueses a nossa pathos do 4th of July de 2004.

Quem perdeu este concerto memorável pode espreitar aqui, onde se encontra quase todo o alinhamento do concerto dos Arcade em Glastonbury.

sábado, junho 23, 2007

Play it again Sam


Uma das citações cinéfilas mais celebradas é o "Play it again Sam".Que afinal o Rick nunca disse ao Sam.

Ryan Adams : Easy Tiger

O mais prolífico compositor da actualidade está de volta. Para quem chegou a editar três albuns por ano, mais de um ano sem nada de novo é uma prolongada ausência. Apesar do seu site estar invadido de soul e hip hop é o velho Ryan que nos surge neste novo album. Com baladas, country e rock. "Tears of Gold", "Rip Off" e "These Girls" são belíssimas.


Na amazon onde o álbum está à venda por $9.99 pode-se ouvir "Everybody Knows" e "Magnolia Mountain". Quem for dado a downloads pode ir até aqui. Diz a Rolling Stone que "Easy Tiger seems to prove that Adams is once again as in touch with the delicate tragedies of life and love as he’s ever been". Na Europa é editado a 25 de Junho. O meu já vem a caminho.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sumo de Laranja

Na Jemal el Fna não pude deixar de me lembrar do meu amigo João Paulo. Que aí bebeu o melhor sumo de laranja da sua vida. A laranja marroquina é, de facto, sensacional. E em Marrakesh, à falta de bons vinhos há que degustar os bons sumos. Dos vinhos provaram-se uns sem história Seroua, Semillast e Guerrouane Rosé. Dos sumos provaram-se os do Bagatelle, do Café de la Koutoubia, do La Sultana, do Al-Baraka e duma barraca da Jemal el Fna. Todos excepcionais. Mas não pude deixar de dar razão ao João Paulo. O melhor de todos foi o da barraquinha. Sublime. Distinto, néctar alaranjado, denso, espuma fugaz. No nariz aromas de grande maturação, notas florais e alguma complexidade. Na boca redondo, macio, adocicado, encorpado sem ser pesado, citrinos presentes mas muito delicados, fruto da qualidade das castas empregues no sumo. Final longo, com uma harmonia que impressiona.
E servido em copo longo, fresquíssimo, à temperatura ideal. Ideal para beber ao fim de tarde, ou a acompanhar uma pastilla ou um tagine.

Sinestesias

A cor, os sons, os cheiros. Marrakesh é um festim para os sentidos. Percorrendo as suas ruas sentimos os seus odores, a canela e o açafrão, a música gnaoua e os muezim que clamam os fiéis, o ocre das casas e das muralhas.
As portas e os mosaicos. Um almoço num terraço. Entre heras e videiras. O doce aroma de un hachis. Que comi embalado pelo saxofone que guiava o taxi de Travis Bickle pelos neons de Times Square. O jasmim e a madressilva, os pregões e os cânticos na Jemla el Fna.

Cobras e lagartos, contadores de histórias e videntes. A explosão de cores e aromas no souk das especiarias. Os couros e os cobres. Os jardins da Majorelle e da Menara. As claustrofóbicas e labirinticas ruas da Medina.
Uma cegonha no topo da muralha. O tempo suspenso na esplanada do Café la Koutobia. A delícia de um sumo de laranja. Os figos e os fritos. As buzinas dos carros que, não tendo o charme dos cubanos Cadillac , são relíquias de 30 anos.
E a paz. De um recanto na piscina. Do sol que nos afaga. Da frescura de um terraço. Dos vapores do hamman. E uma sesta ao som de Keith Jarret.

Superstar

Superstar ele é. Não falo do JC, personagem criado por Andrew Lloyd Weber e levado à cena pelo La Féria no Rivoli. Diz quem lá foi que não vale um pechisbeque, quanto mais um anel de rubi. Não, falo-vos de um verdadeiro superstar. Megastar.

Esteve na Opa da PT. Mas não se chama Belmiro. Lucrou com a OPA do BPI. Mas não se chama Ulrich nem Silva. Nem é santo nem da Obra. Embora tenha ar de ter trabalhado nas obras. E agora, dizem que fez uma espécie de Opa. Até há quem lhe chame o Fantasma da Opa. Ou será o Fantasma da Ota, pelo modo desinteressado como patrocina estudos. Até porque como se sabe os centros de excelência são em Alcochete Pelo meio vai criar um fundo. Por que diz, o clube bateu no fundo. E até quer criar um banco. Banco Benfica. Com o Fernando Santos a CEO? Cruzes, agora é que íamos ver os obstipados esgares do engenheiro a desapertar o nó da gravata.
Como cantava o Jimmy, "Hey Joe where do you wanna go?" Eu pensava que a Madeira se resumia a Ronaldo e Jardim. Mas este Zé que virou Joe , comendador da Ordem do Infante, não poderia ter melhor publicidade para a inauguração do Museu Berardo, a inaugurar amanhã no CCB do Mega. Megastar, é o que ele é. Cantem-lhe Hossanas.

Ich bin ein ... Marroquiner

I'll be back, dizia um obscuro personagem. Eu também estou de volta. Depois de um crash informático e excesso de trabalho e reuniões estou de volta. Em Marrakech. Onde me sinto em casa. Ou não fosse marroquino desde pequenino. Vilacondense a estudar na Póvoa, ostentando a alcunha "bileiro" em terra de polacos para quém a sul da Poça da Barca era o deserto. E os marroquinos.
Naquele tempo navegava o Rio Ave de Licinio e Raul por uma recôndita terceira divisão, batendo-se com Limianos e Valpaços, e o Varzim de Artur, Cacheira e Horácio brilhava na 1ª divisão. Foi assim que este marroquino se fez sócio do Varzim na década de 70. Por lá vi a magia de Salif Keita, o Teófilo Cubillas idolatrado pelo Inspector Jaime Ramos, e um barbudo jovem de 17 anos que comigo partilhava os nomes próprios. Mais tarde seria o grande Chalana. O leito do Rio foi-se enchendo e a ascensão à 2ª e depois à 1ª tornou os derbys Rio Ave-Varzim arrebatadores. Duarte, Paquito e Quim contra André, Vitoriano e Zé Maria, gente que sentia a camisola. E eu lá voltei à Póvoa, agora com as cores verde brancas. Dos marroquinos.

domingo, junho 10, 2007

How I wish...

ter lá estado.

Nem precisava de ser na 1ª fila como o Fábio.

sexta-feira, junho 08, 2007

Vintage: Michelle (1965)



Com um abraço para o João, que casou hoje.