domingo, setembro 09, 2007

A bola nem sempre é redonda

Começou em França o Mundial de Râguebi. Com a derrota dos anfitriões frente à Argentina. Num clima de grande festa, com Sarkozy nas bancadas a capitalizar (ainda mais) simpatias. Entretanto os Lobos lá se preparam, entrando hoje em acção com a Escócia. Para depois, dia 15 em Lyon (lá estarei) defrontarem a Nova Zelândia. Embora defrontar não seja o termo mais correcto. Vão pisar o mesmo relvado, é certo. Mas, tendo em conta que os All Blacks esmagaram (76-14) a equipa italiana que há mesmo de um ano despachou Portugal por 83-0, não se antevêem grandes confrontos. Antes uma festa. E para mim um pretexto para conhecer o Alain Ducasse e o George Blanc. Que são três estrelas mas não jogam râguebi.

Bom tempo no Canale

Ang Lee venceu de novo o Leão de Ouro. Depois de em 2005 com "Brokeback Mountain" ter arrebatado o galardão máximo do Festival de Veneza, voltou com um thriller de espionagem na Shangai dos anos 40.
Brad Pitt ganha pela primeira vez um prémio que não seja de actor mais sexy, pela sua interpretação de Jesse James. Já Cate Blanchett impressionou o júri como Bob Dylan em "I'm not there" . Brian de Palma ganhou o prémio de melhor realizador com o polémico "Redacted" batendo Paul Haggis que também revisita o Iraque em "In the Valley of Elah", com um fabuloso Tommy Le Jones.

sábado, setembro 08, 2007

Alive and kicking

Alive and Kicking era o nome de uma tournée dos Simple Minds. Mas este senhor, que parece agora mais velho que o Mick Jagger e mais lunático que o Keith Richards, veio dizer que está vivo e esperneia.
Sinal dos tempos, aqui no meu quarto de hotel em Estocolmo, a emissão do video do Osama na CNN foi interrompida por uma ligação em directo a Portimão para ver o Gerry.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Mouraria em Tavira

Mouraria é o nome do restaurante da Pousada de Tavira. Ambiente agradável, seja na sala decorada em motivos que lhe dão o nome, seja na esplanada, no claustro do Convento.

Em duas visitas provaram-se das entradas Os nossos Petiscos umas fresquíssimas Amêijoas Abertas, uma refrescante Sopa Fria de Meloa, um crepitante Estaladiço de Queijo de Cabra e sobretudo agradou a Terrina de Foie Gras com queijo de Figos e Geleia de Marmelos, conjugação perfeita de contrastes que explodiam no palato.


A Ana deliciou-se com esta apetitosa Costeleta, que ninguém diria ser de Legumes Assados.

A Raia Branca de Alhada, temperada com coentros e azeite em alho, é imperdível, de fazer inveja a muito peixe graúdo.

Nas Carnes provaram- se o Peito de Pato Lacado com mel, que foi devorado pelas crianças e saboreado pelos seus papás,

o Lombinho de Porco Preto Recheado com Migas de Enchidos, que se desfazia na boca,

e as fabulosas Bochechas de Porco Preto Guisadas com Favas, suculentas, sabores fortes e concentrados, um portento.

Nas sobremesas por pudor não se atacou a mesa do buffet de doçaria algarvia e alentejano, tendo alguns substituído o café por um digestivo sorvete de frutos silvestres.

A carta de vinhos tem excelentes ofertas, apenas se recomendando um maior cuidado na temperatura a que servem os tintos. É que não adianta ter Chryseia ou Batuta para servir à temperatura ambiente em Agosto.


Serviço afável e expedito, esta Mouraria recomenda-se vivamente. Em Agosto e Setembro, às 5ªs o Claustro transforma-se em pátio árabe onde, acompanhado por música Gnaoua e dança do ventre é servido um excelente jantar marroquino.

Vasa Museum

O museu mais visitado em Estocolmo é o Vasa Museum. O museu não é mais que o único galeão do século XVII preservado até aos nossos dias. E como sobreviveu? No fundo do mar. Afundou-se na viagem inaugural, num dia calmo, a menos de uma milha do porto. Era suposto ser o orgulho da Marinha sueca, e foi a sua maior vergonha.

E hoje é monumento nacional.

Em Portugal seríamos capazes de transformar um dos nossos maiores fracassos em Museu? Não estou a ver.

nesun dorma

Nos anos 60 e 70 foi um grande tenor. O maior de todos, dizem uns. Só comparável a Caruso. Não era um erudito. Dizem outros que até nem saberia ler música. E que trocava os textos. Mas era um natural. Tinha o talento, e a voz que transmitia as emoções.




Depois dos anos 90 tornou-se uma popstar. Foi o tempo dos amigos e das amigas. Das grandes causas e das pequenas coisas. Mas quando voltava a Sorriento nunca deixei de soltar uma furtiva lágrima. Uns dizem que foi do pâncreas. Outros que foi de amor.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Sonho

O sonho do basquetebol português parecia ter virado pesadelo depois de concludentes derrotas frente a Espanha e sobretudo a uma Croácia, longe dos tempos de Petrovic ou Kukoc. Que perdera por larga margem com a Letónia. A quem seria necessário ganhar agora por quinze pontos. Impossível? Sim. Ou talvez não, se pensarmos que chegamos a estar a ganhar por dezassete. Mas os letões não eram da Bairrada e não se deixaram comer, perdendo apenas por dez. E então na imprensa online e na RTP passou a informação que dizia que a selecção caíra de pé. Porque só uma vitória da fragilizada Croácia sobre a Espanha do Gasol, campeã do Mundo a jogar em casa nos salvava. Impossível? Claro, até porque ao intervalo "nuestros hermanos" venciam por dez. Mas querem lá ver que os croatas a cinco minutos do final venciam por sete? Sol de pouca dura. A 40 segundos do fim a Espanha vence por cinco. Só dois triplos nos podem salvar, disse um comentador. O segundo caiu a 3 segundos do fim.

Final de sonho. A dar que pensar o que seria desta selecção com um Carlos Lisboa e um Pedro Miguel. Para darem asas ao sonho.

Veja Porto

Há dias recebi um SMS do daniel para não perder a crónica do EPC no Público. Não adivinhando que seria uma das últimas. Nela EPC dava conta da sua avidez por guias de restaurantes. Tal como ele, daí a mensagem, também sou um coleccionador de guias. Nos USA e capitais europeias a Bíblia é o Zagat. Na Europa o Michelin e o Gault Millau. Em Portugal o BoaMesaBoaCama do Expresso. Por todo o mundo ( e agora Lisboa) o Time Out, este também dando atenção aos espectáculos e exposições. No Brasil o QutroRodas e a Veja. E da Veja Lisboa falava também EPC.

Mas é da Veja Porto, à venda nas bancas que vos falo. Lista exaustiva dos melhores restaurantes, cervejarias, salões de chá ou pastelarias. esplanadas, bares ou discotecas. Com um painel de jurados composto por muitos "notáveis" da nossa praça.

A revista recomenda-se. As escolhas são,em geral, acertadas. Do B-Flat ao Bull and Bear, do Majestic à Tavi. Do SessentaSetenta à Cozinha do Manel. E já lá estão as novidades do chef Cordeiro. Apenas não se entende como é posível o esquecimento do Cafeína, apesar de citado por Artur Santos Silva. Lapso que por si só quase retira toda a credibilidade ao guia.

Regresso às aulas

Esta semana foi de festa. O ínicio das aulas. E se para a Margarida foi um regresso, para a Carolina foi uma estreia. E pela energia e a alegria que tem revelado a adaptação parece ser excelente.



É pois, neste ambiente de alegria que importa recordar o Massacre de Beslan. Que parece já esquecido, à distância de três anos. Em que perderam a vida 334 inocentes, 186 crianças tornadas reféns no seu primeiro dia de aulas. Vítimas do terrorismo arbitrário e da cegueira de um Presidente autoritário.



Por isso, neste regresso às aulas, lembremos os Filhos do Putin.

Air Race

Foi o acontecimento do ano na cidade do Porto. Quando assim é costumo fugir. Até porque já não tenho a varanda com vistas para o Douro há quase três anos. Mas o telefonema de um amigo dizendo que tinha uma mesa marcada numa esplanada do Cais de Gaia fez-me mudar a agulha. E lá estacionei o carro nas Devesas e desci a encosta até ao Cais.
Com crianças ao colo. Chegados ao cais a constatação que a esplanada era térrea e sem vistas. Que as de 1º andar estavam reservadas para patrocinadores e seus convidados.


Logo desistimos da mesa e fomos para o meio da confusão. Aguentamos estoicamente quase duas horas pela passagem dos aviões. As crianças, lembrando o burro do Shrek ("ainda falta muito?") consolaram-se uma baguete de atum.
E quando finalmente os ases dos ares chegaram... depois de visto o primeiro estava tudo visto. Já que as manobras se repetiam até à exaustão.


A espectacular esquadrilha de jactos da Breitling foi vista já numa esplanada na segunda linha e, depois de uma escalada que deixou pais e filhos exaustos e sequiosos, a final foi vista num café perto do carro. Na RTP, pois então, onde o que se via era bem mais entusiasmante que ao vivo.

Salvaram-se as fotos.

segunda-feira, setembro 03, 2007

QUARTO DE HOTEL ( 23) Pousada de Tavira

O antigo Convento dos Eremitas Descalços, edificado no séc. XVI e entregue ao Exército com a extinção das Ordens Religiosas, foi convertido numa das mais jovens Pousadas, tendo sido inaugurada em 2006. Sem o design das suas congéneres do Crato ou do Bouro, a Pousada de Tavira- Convento da Graça é uma excelente alternativa para umas férias sossegadas em Agosto no Algarve.

Desde logo pela cidade, que tão bem cuidada tem sido pelo poder autárquico ( custou, mas está dito). Depois, porque para quem como eu, "serviu" no Exército em Tavira, o Convento era o local onde mal saímos do Quartel íamos despir a farda de maçaricos. mas sobretudo, porque a Pousada proporciona aos seus hóspedes um ambiente acolhedor, com um serviço excelente, como raramente se encontra no Algarve.

O claustro domina a Pousada, servindo como ponto de encontro e também como aprazível esplanada para disfrutar o pequeno almoço ou o jantar. E em Agosto e Setembro, às 5ªs feiras converte-se em pátio árabe, recuperando os costumes e tradições islâmicas presentes na região com um jantar árabe ( o Pato estufado com Ameixas e o Lombo de Pargo Assado com Recheio de Nozes e Romã são excelentes ) acompanhado por música Gnaoua e dança do ventre.

O restaurante é excelente e recomenda-se.

A piscina, enquadrada entre a pousada e a muralha, é um sossego, aqui e acolá entrecortada pelos sorrisos das crianças e o zumbido das abelhas. Ideal para refrescar ideias entre dois dedos de leitura.
Os quartos são desiguais, havendo quartos excelentes e quartos menos bons. Se lhe derem um quarto pequeno peça um maior. Para quem viajar com crianças recomendo a suite Almansor, que tem um hall de entrada com tamanho suficiente para colocar as cama extra, a sala com uma magnifica chaise longue e a mesa e o sofá da imagem.

E o quarto com uma cama king size com dossel. A casa de banho, em mármore, dispõe de banheiro e cabine de duche. E para o final da tarde o terraço privativo com 50 m2, a que bem podiam ter juntado uma plounge pool. Com o Cartão Pousadas é possível disfrutar desta suite por 300/€ noite em Agosto.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Dali no Porto

Excelente pretexto para visitar o, há muito inacessível aos portuenses, Palácio do Freixo é a exposição "Dali no Porto". Anunciada como "organizada pela Fondazione Metropolitan de Milão, apresenta algumas das mais emblemáticas obras de Salvador Dali", na realidade mostra sobretudo gravuras e litografias para livros ( "Bíblia Sagrada", "Fausto","Gargantuae Pantagruel") e algumas esculturas de Dali, como este "Homem sobre Golfinho" e a "Mulher Nua Subindo Escada". Interessante porque o génio de Dali está lá. Um bocadinho, só.

terça-feira, agosto 21, 2007

Cacela

Considero Agosto o mês ideal para trabalhar no Porto. Sem trânsito, menos confusão em tudo. Sem stress, chegando a casa ainda com a luz do dia. Por outro lado considero o Algarve de fugir em Agosto. Por lembrar o Porto em Janeiro embora com Sol. Mas este ano acabei por vir passar uma semana em Tavira. Que me traz recordações da minha guerra. E Tavira foi uma surpresa. Quem diria que o Macário é o Presidente cá da terra. Está bela e arranjadinha, a cidade. E pode-se jantar numa eplanada sem esperas, comendo um peixinho grelhado decente.
E a Praia de Cacela recomenda-se. Estacionado o carro junto ao restaurante Costa, pés na água para embarcar no bote que nos leva até à praia.

Areal extenso, com poucos banhistas e um mar calmíssimo com água transparente, ideal para crianças. E à hora de almoço zarpa-se até ao Costa que serve um saboroso arroz de lingueirão, uma boa cataplana de ameijoas e umas honestas sardinhas assadas. Apenas se lamentando a fervura que dão às Ostras. Não devem ouvir o Bento dos Santos que diz que um bom prato de peixe é o que nos trás o mar boca dentro. E estas ostras fervidas, ainda assim não de todo desinteressantes, deixaram muito mar na panela. Numa segunda visita comprovamos por que é que as ostras de Olhão são servidas nos cafés de Paris.

Interpol

Há dias atrás o mestre iluminou-me. Falou-me dos Interpol, misto de Joy Division e Genesis, dizia ele. Estranhei eu. Mas tinha razão. A voz de Pul Banks lembra Ian Curtis e o tom soturno e os baixos lembram os Joy Division. e as melodias dos Genesis. Podia acrescentar que a guitarra de Daniel Kessler lembra The Edge e a energia do grupo lembra os Cure.



Lançaram um excelente primeiro álbum (" With Turn On The Bright Lights") e um menos conseguido mas interessante "Antics". Voltam agora com "Our Love To Admire". Teclados góticos em "Pioneer To The Falls", love songs , e um pulsátil "The Heinrich Maneuver". Podem ser encontrados na FNAC e no iTunes e a 7 de Novembro estarão no Coliseu de Lisboa. Recomendam-se.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Engenheiro Técnico

A Liga Bwin está mais pobre. Perdeu o Engenheiro Técnico. O único. O verdadeiro. O País debateu há meses atrás se o PM era engenheiro ou engenheiro técnico. Esquecendo que na Luz havia um engenheiro que era técnico. Do Benfica. Já não é. Na realidade, como ele tanto repetia.







Já sinto saudades. Do seu tom esclarecido. Daqueles esgares, do tique com o pescoço. O ar obstipado com que desapertava o nó da gravata. Talvez fosse de enjoado, qualquer coisa que lhe caísse mal, porque o seu adjunto, Rosário, parecia ainda mais enjoado.


Que saudades. Ainda por cima uma injustiça o que lhe fizeram. Deixaram o homem sem defesas centrais (foi ele que pediu o Stretenovic?), deixaram-lhe um plantel com quatro médios, e um deles tem de jogar a central. Fizeram-lhe a Cama. Acho eu. Coisas de quem anda mais preocupado com apitos. Dourado. Encarnado. E rosa.

sábado, agosto 18, 2007

Nadir Afonso

Até 26 de Agosto, na Galeria do Jornal de Notícias, no Porto, podem visitar a exposição "Nadir Afonso - Futuro".
Viagem pela morfometria de Nadir, do Cairo a Philadelphia. 27 obras , entre acrilicos e guaches, de um jovem pintor de 86 anos com centenas de obras ainda por acabar.


"O homem volta-se para a geometria como as plantas se voltam para o sol é a mesma necessidade de clareza. Todas as culturas foram iluminadas pela geometria cujas formas despertam no espírito um sentimento de exactidão e de evidência absolutaOhomem volta-se para a geometria como as plantas se voltam para o sol é a mesma necessidade de clareza. Todas as culturas foram iluminadas pela geometria cujas formas despertam no espírito um sentimento de exactidão e de evidência absoluta" - Nadir Afonso

sexta-feira, agosto 17, 2007

Ratatouille



O novo filme da Pixar. Um improvável chef. Um filme para crianças e gourmets.

quinta-feira, agosto 16, 2007

You are always on my mind



Passaram 30 anos mas a febre continua. O rock and roll e as baladas de Elvis sempre presentes. Como ele dizia "It’s now or never... Tomorrow will be too late".

Em busca dos posts perdidos

Quando me ligaram para saber da minha disponibilidade para uma reunião em Londres, logo me lembrei do «Prazeres do Diabo» e da possibilidade de poder melhorar enfim a minha fraquíssima prestação no blogue, até aqui praticamente reduzida à leitura atenta e fisicamente curvada das postas do FVaz, o que historicamente me tem provocado fortes dores nos cotovelos. De todo o modo, considero que a minha fraca performance, que o amor-próprio e o pudor me obrigam a jurar que nada tem a ver com uma eventual falta de prazeres reportáveis, será mais por culpa do próprio anfitrião, que tem elevado a hebdomadária fasquia para podiuns pouco consentâneos com o olimpismo em que venho vivendo. Aliás, já por diversas vezes tive a tentação de fechar postas sobre o que julgava prazeres, se não do diabo pelo menos de um seu esforçado discípulo, mas logo as reduziria a tirinhas ante a leitura das façanhas do incorrigível nómada FVaz e mais as suas invejadas fotos e descrições sobre viagens, hotéis, praias, culinárias, etc., contra as quais pouco ou nenhum interesse teriam decerto as minhas próprias descrições, por exemplo, dos cardápios servidos pela Wagon Lit durante as recentes investidas que fiz a Lisboa no Alfa Pendular.
Daí que a minha resposta aquela chamada vinda de Londres não poderia deixar de ser um «Yes, of course!», até porque as viagens e o hotel seriam pagas. Então, embora sem qualquer ilusão de me aproximar do diabólico estatuto do anfitrião deste blogue, nem que tivesse mais cinco vidas, preparei-me para que o relato desta minha visita a Londres pudesse ser um up-the-bottom capaz de atenuar o meu déficit blogueiro. Afinal, ia passar a noite num hotel da cadeia Hilton, o que era um sonho vedado, por exemplo, à própria herdeira dos accionistas que por essa altura cumpria pena numa outra cadeia, decerto bem menos pleasant, em Los Angeles.
...

terça-feira, agosto 14, 2007

QUARTO DE HOTEL ( 22) La Sultana

A oferta hoteleira em Marrakech é hoje tão variada e com tanta qualidade, que o hotel de referência, o Mamounia, grande dama por onde passaram inúmeros chefes de Estado, encerrou para remodelação.

Há quem opte por ficar na Palmeraie, fora da cidade. Aqui, há dois hotéis de sonho. O Amanjena e o Ksar-Char-Bagh. Escolhi ficar na Medina, numa Riad, no meio da confusão, dos ruídos e dos aromas. A chegada foi "diferente". O taxista pára no meio duma rua cheia de gente, apesar do relógio indicar 1h30 da manhã e aponta para uma viela e diz:"É por ali". Que não, diz um transeunte. É naquela viela acolá. E por acolá fomos. Às escuras.

Tudo se iluminou mal transpusemos o portão. O ambiente do La Sultana é de um pequeno palácio árabe, com sucessivos pátios, fontes e recantos.
Monumento histórico, proporciona uma viagem no tempo, santuário onde a tradição e a opulência do "Moroccan Style" encontra o conforto ocidental.

Dispõe de 21 quartos e suites, com nomes de animais, todos com uma decoração única.
Camas king size com lençóis em algodão do Egipto, lareira, movéis antigos, quadros e esculturas locais, tectos trabalhados, madeiras preciosas, couros, tadelakt dão ao quarto um ambiente exótico mas acolhedor. Os banhos em mármore, com banheira e duche, lembram os banhos romanos. A decoração tradicional não nos impede de disfrutar de leitor de DVD/ CD ( vimos o "Babel", ideal para mostrar à esposa em Marrocos) e internet banda larga grátis, no quarto. No mini-bar as bebidas não alcoólicas são grátis, tal como o cesto de frutos, tâmaras e frutos secos. Não cheguei a perceber quantas vezes arrumavam quarto. Porque sempre que saía e voltava a entrar, aquela toalha mal dobrada já lá estva, de novo, imaculada.

O Spa 'La Sultana', oferece soberbos hammams, jacuzzi e sauna, duches com infusões, massagens ao ar livre no terraço, na tradição árabe, descoberta de rituais ancestrais.

A piscina é pequena mas num enquadramento de uma beleza ímpar. Aquecida, ionizada, com contracorrente para quem queira nadar. Boa para refrescar ao fim da tarde e pôr as leituras em dia.
O pequeno almoço é tomado no terraço. Boa maneira de começar o dia, tomando o pequeno almoço escutando o chilrear dos pássaros entrecortado pelos pregões que chegam da rua ou as chamadas dos muezins, que chegam dos minaretes.
O buffet exposto não é abundante, mas se se pedir trazem-lhe tudo o que lá não está, dos ovos aos queijos ou enchidos. E os sumos são imperdíveis.
O jantar pode ser no terraço ou à volta da piscina. Numa envolvência romântica ímpar, mas com a gastronomia e o serviço aquém das expectativas.

A localização é excelente, paredes meias (literalmente) com os túmulos Saadianos, e a dois passos do Palácio Bahia, Palácio Real e da Jemal-el-Fna. A pé podemos percorrer toda a zona da Medina, a qualquer hora do dia (ou da noite).

La Sultana é pois um refúgio, para o corpo e a alma, um oásis no bulício da cidade rosa. Apenas necessitando melhorar o serviço, pois apesar da simpatia extrema de todos os funcionários, a rapidez e eficiência não saõ os seus pontos fortes.